terça-feira, 18 de maio de 2010

O medo, o riso e o poder pelo riso



Tem um livro interessante de Bakhtin que fala sobre o carnaval. Em resumo, Bakhtin diz que o poder se alicerça sobre o medo.

Nas suas origens o medo se definia como medo cósmico, do incomensurável, do imenso, do universo.

Depois tal medo cósmico foi repositado, segundo Bakhtin, em um medo oficial, uma espécie de réplica do medo cósmico, que tentava imitar as características acima de incomensurabilidade, inefabilidade, embora sempre fosse um medo fabricado.

Assim, surgiu o medo do poder terreno, ele imitou o medo do homem em relação à natureza..

Era um medo mediado que postulava aspectos de intelibilidade do desconhecido, da imensidão do mundo. O medo fabricado era uma forma de remediar o medo do desconhecido. Pois a partir da localização do temor, o medo era identificado nos mandamentos e nas instituições.

Assim, doranvante, os mortais sabiam como aplacar a ira do poder e abrandar sua cólera, diferetemente do que ocorria no medo cósmico ligado à aspectos sobrenaturais.

Apesar do medo oficial tentar ser uma réplica do medo cósmico irresístível e necessário, ele sempre teve um lado contigente e  falível.

E aí é que entra o papel do riso para lembrar o poder oficial de suas limitações e de representar as oportunidades abertas pelo medo operador de repressão.

Desde de o começo do Resnacimento, diz Bakhtin, trava-se uma batalha entre o medo oficial e o riso popular, não oficial, com variado sucesso e desenlace ainda longe de uma definição.

Na verdade, o riso carnavalesco criava um outro mundo, festivo, marcadamente oposto à seriedade oficial da tediosa rotina.

Mas se o riso antes era contra o poder, hoje em dia o poder já o dosmesticou e o utiliza para dominar as massas.

Antes o riso era o lugar marcante para lembrar as falhas do poder e aproveitar estas falhas para proprocionar um relacionamento fora das regras e mais humano, hoje o riso tornou-se política do pão e circo. O riso não sorri do poder, ri com o poder!

O mesmo acontece com a arte, confundida com cultura de massas, serve para homogeinizar e apolitizar, transformar e criar o rebanho.

Infelizmente, o poder domesticou o cômico!

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