A linguagem é alienante como a própria economia. Crescemos os escritos com nossa contribuição discursiva e quanto mais crescemos esse conjunto, mais ficamos presos em sua engrenagem. Portanto, ou o marxismo errou o alvo, ou é preciso reelaborar a tese do fetiche e da alienação. Mesmo que abolissemos os inconvenientes da divisão do trabalho, ou o processo de restrição da liberdade do homem em favor dos bens materiais, tese implícita nas elucrubações de marx, sobrará aquilo que sustenta todos os inconvenientes da teoria da identidade, das estruturas infalíveis, do mundo estável e congelado, que é a linguagem.
A teoria do valor alienante e medida de todas as coisas não está somente na relação de trabalho, está também nas relações de comunicação, bem mais difíceis de serem mudadas, porque sobretudo o homem, é um ser que vive em rebanho. Temos a peculiaridade, dentro de nossa espécie, de viver juntos e, para tanto, construímos todo esse arranjo que facilita nossos contatos e a expressão de nossos desejos.
Diz bem Aristóteles, quando diz que o homem, pelo fato de precisar da mulher para dá permanência a espécie, através da cópula, ser um ser social. E a linguagem, como toda técnica, surge ligada às necessidades do organismo, aos aspectos naturais e instintivos, mas com o tempo parece ter se desligado de todos esses aspectos e virado um mundo além de nosso mundo do dia-a-dia, orgânico e afetivo, bastante mutável.
A metafísica realista tornou necessaria a linguagem quando partiu para objetificar os significados através da definição infalível, através do critério da necessidade. Ou seja, tentou doar objetos aos nomes, quando na verdade deveria torná-los mutáveis ou cantar sua mutabilidade e convencionalidade. A metafísica dos idealistas trouxe a transferência das consequências da linguagem para o plano do sujeito. Nos idealistas a linguagem, que na antiguidade foi o mecanismo para construção da teoria do ser e suas categorias, foi transferida para dentro da subjetividade e transformou-se na lente em que os seres humanos veem o mundo. A teoria de Kant, que justifica a autonomia e um plano ético além da experiência, como um factum da razão, só fez mudar o enfoque da linguagem, que saiu do significado e foi parar no significante, agora transformado em estrutura da própria língua.
Cada cultura utiliza - ou modifica alguns usos - a linguagem de um modo peculiar, embora exista sempre uma estrutura sempre fiel e idêntica no tempo, que não muda. A linguagem, técnica de domínio da natureza, tornou-se necessidade. "Aquilo que não pode ser diferente do que é". E essa necessidade é sustentada pela sociedade, pelo medo das consequências de não conseguirmos nos comunicar. Os homens não conseguem sair desse mundo da linguagem - apesar de sua fluidez, existe nela um núcleo duro sustentado pela própria sociedade - a partir disso fazem um processo de deificação dela.
Para sair desse arcabouço, basta novamente retornar para o significado, desmonstrando que ele é sempre além de qualquer nome, justamente porque ele é em devir e múltiplo. Que o homem sempre terá a necessidade de aprimorar e acrescentar novos nomes as coisas dentro dos signos já existentes, porque surgirão situações e coisas não integradas na classificação da linguagem. Deve-se fazer o caminho inverso daquele que foi feito pela metafísica ao criar uma grade para nosso pensar.


Meu caro Anderson,
ResponderExcluirO que é o direito senão mais um dito-mito. será que o amigo acredita realmente que o Direito é direito e que as a Justiça é feita? Afinal, o que é direito? Vivemos em uma realidade de convenções onde os conceitos são fluidos e o que parece ser pode não ser o que parece. A putabilidade é um mal necessário por força do processo civilizatório. Isso não se pode inverter, mas quando falamos do homem pelo viès psicanalítico, não podemos afirmar com 100% de certeza o que é que estamos dizendo. "100% de consciência é empíricamente impossível em psicanálise" (Jung) Logo inferimos que o estado de normalidade ou o Estado de Direito é o estado de neuróticos. Além do mais a ilusão direito universal e igual para todos como se pensa no senso comum cai por terra ante o processo histórico relacionado à massa que domina e faz as leis e a massa dominada e alienada que não pode intervir nesse processo. A parte que lhe cabe é a idéia que a justiça tem sido feita. Para conceber-se o direito precisamos de uma idéia concreta do que é certo e errado e, é claro, uma potência para a consecusão objetiva do mesmo. A história mostra que esta potência se volta contra os fracos e os manipula. O direito existe em momentos específicos para aqueles que o podem comprar. No nosso caso, o mecardo jurídico está muito longe de ser democrático. Assim, o torto nega o direito enquanto realidade concreta, objetiva e universal, e o afirma enquanto necessidade dos homens de se organizarem, mesmo sabendo que cada ordem é um caos particular. Nada é nada até que se diga. Então diga sem falar pela boca do outro, que é seu direito, pois o intelectual pode ser um grande alienado, um contador das estórias dos outros. Mas isso é normal, é direito.