Nietszche tentava a todo custo a defesa de valores Gregos, para ele uma das culturas mais próximas da vontade de potência, longe dos niilismos da sociedade moderna. Desta feita assim se expressou: “Toda elevação do tipo ‘homem’ foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e diferenças de valor entre um e outro homem, e que necessita da escravidão em algum sentido". Na Grécia, especialmente pela análise das obras de Platão e Aristóteles, o que existia era toda uma estrutura vinculada ao modo de produção escravista ligada a todo um conjunto de justificativas filosóficas sobre a escravidão. O culto a aretê e ao ócio produtivo destacava a necessidade de liberdade das atividades práticas para que se chegasse a contemplação dos universais. Aristóteles acreditava, por exemplo, que a filosofia surgiu justamente nos lugares onde determinadas classes haviam sido libertadas do trabalho, nesse ponto, coloca a classe dos sacerdores no egito como sendo aquela que primariamente se dedicou ao saber conceitual. Não é outro o motivo pelo qual define a filosofia como sendo desligada das necessidades práticas. Em Aristóteles, existe também, pelo mesmo motivo, uma hierarquia entre os saberes, onde o saber prático está subordinado ao teórico, como o escravo deve está subordinado ao senhor. Nesse diapasão, acerta quem diz que a sociedade grega funcionava como um organismo em que a cabeça comanda as partes baixas, o phatos. A república de Platão é bem emblemática nesse sentido. O conjunto de filosófos ou o filosófo-rei, que significa o conhecimento conceitual, deve dominar todo o conjunto da sociedade, mas o bom trabalho do conhecimento depende do sustento do trabalho braçal. Como diz Aristóteles na Metafísica: "O sábio não deve ser comandado mas comandar, nem deve obdecer a outros, mas a ele deve obedecer quem é menos sábio". Ainda na Grécia acreditava-se que os grandes feitos são realizados por grandes homens, a partir dessa perspectiva existia todo um conjunto de critérios de diferenciação, o mesmo se dava em Roma e na própria Idade média. O livro de Montesquieu o Espírito das Leis é exemplar nesse ponto. Na Roma e na Idade existia um conjunto de grandes homens que dominavam as massas, existia o phatos da distância e isso era explicitado por todo um conjunto de rituais. A idade moderna introduziu a noção cristã de igualdade, aproximando os grandes homens, aqueles que podem grandes feitos, aos homens do populacho, quebrando as diferenciações e criando uma cultura fraca, arraigada na mediocridade. Na época diversas vozes lutaram contra a depreciação dos valores da nobreza. Toqueville, Burke e outros foram grandes vozes. No início do século XX ainda ecoaram críticas à baixeza das massas. Gasset percebeu o quanto as massas só querem direitos nunca deveres. Não sou muito bom em Nietszche mas creio que o bigodudo tenha retomado questões desse jaez. É preciso tentar captar essa pespectiva dentro da conjuntura de forças de nossas época. Nossa época tem consquistado avanços, dominado questões importantes, mas a custa da estrutura, das instituições, dos procedimentos impessoais em detrimento do nome próprio. Claro que existem algumas exceções, mas as teorias são feitas à muitas mãos. Na democracia o que vinga é a força de conjunto. Grandes nomes, grandes homens são coisas do passado. É preciso reavaliar as coisas que Nietszche disse. Posso está enganado, se toda espécie quer se expandir, dominar outras, o homem na cultura burguesa, ao menos materialmente, está muito além de qualquer cultura. Qualquer operário atual vive mais tempo do que qualquer nobre ou Aristocrata grego, claro que Nietszche leva em conta análises qualitativas, entretanto, em termos gerais, para uma espécie o material e quantitativo conta e muito. Portanto, é preciso repensar a noção de senhor e escravo. Nossa sociedade caminha para a desvinculação do esforço. Todos os utensiíios criados são fruto desse preconceito social de fugir do trabalho. Rousseau reclamava disso, imaginem?! O senhor desvinculado do trabalho é um ideal de nossa sociedade. Quem sustenta esse ideal, o conjunto da cultura. Há portanto uma inversão da dialética de Hegel. São os escravos ansiosos dos benefícios do senhor que procuram, nos desenvolvimentos históricos, aproximação dessa liberdade dos trabalhos manuais e por eles e a partir deles é que a espécie tem crescido e expandido. O senhor, em inversão marilhosa da dialética de Hegel feita por Kojève, é soberbo e estático, não procura mais porque já tem tudo, como diz "se a dominação ociosa é um impasse, a sujeição laboriosa é, pelo contrário, a fonte de todo o progresso humano, social, histórico". A partir de minhas intelecções vejo com mais largueza que na verdade o próprio Nietszche tentava sustentar valores impotentes e fracos e que a democracia alicerçada em toda essa desorganização possui uma sinergia mais benéfica para nossa espécie, isso é comprovado por todas as benesses que temos hoje em dia!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Nietszche não estava correto!
Nietszche tentava a todo custo a defesa de valores Gregos, para ele uma das culturas mais próximas da vontade de potência, longe dos niilismos da sociedade moderna. Desta feita assim se expressou: “Toda elevação do tipo ‘homem’ foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e diferenças de valor entre um e outro homem, e que necessita da escravidão em algum sentido". Na Grécia, especialmente pela análise das obras de Platão e Aristóteles, o que existia era toda uma estrutura vinculada ao modo de produção escravista ligada a todo um conjunto de justificativas filosóficas sobre a escravidão. O culto a aretê e ao ócio produtivo destacava a necessidade de liberdade das atividades práticas para que se chegasse a contemplação dos universais. Aristóteles acreditava, por exemplo, que a filosofia surgiu justamente nos lugares onde determinadas classes haviam sido libertadas do trabalho, nesse ponto, coloca a classe dos sacerdores no egito como sendo aquela que primariamente se dedicou ao saber conceitual. Não é outro o motivo pelo qual define a filosofia como sendo desligada das necessidades práticas. Em Aristóteles, existe também, pelo mesmo motivo, uma hierarquia entre os saberes, onde o saber prático está subordinado ao teórico, como o escravo deve está subordinado ao senhor. Nesse diapasão, acerta quem diz que a sociedade grega funcionava como um organismo em que a cabeça comanda as partes baixas, o phatos. A república de Platão é bem emblemática nesse sentido. O conjunto de filosófos ou o filosófo-rei, que significa o conhecimento conceitual, deve dominar todo o conjunto da sociedade, mas o bom trabalho do conhecimento depende do sustento do trabalho braçal. Como diz Aristóteles na Metafísica: "O sábio não deve ser comandado mas comandar, nem deve obdecer a outros, mas a ele deve obedecer quem é menos sábio". Ainda na Grécia acreditava-se que os grandes feitos são realizados por grandes homens, a partir dessa perspectiva existia todo um conjunto de critérios de diferenciação, o mesmo se dava em Roma e na própria Idade média. O livro de Montesquieu o Espírito das Leis é exemplar nesse ponto. Na Roma e na Idade existia um conjunto de grandes homens que dominavam as massas, existia o phatos da distância e isso era explicitado por todo um conjunto de rituais. A idade moderna introduziu a noção cristã de igualdade, aproximando os grandes homens, aqueles que podem grandes feitos, aos homens do populacho, quebrando as diferenciações e criando uma cultura fraca, arraigada na mediocridade. Na época diversas vozes lutaram contra a depreciação dos valores da nobreza. Toqueville, Burke e outros foram grandes vozes. No início do século XX ainda ecoaram críticas à baixeza das massas. Gasset percebeu o quanto as massas só querem direitos nunca deveres. Não sou muito bom em Nietszche mas creio que o bigodudo tenha retomado questões desse jaez. É preciso tentar captar essa pespectiva dentro da conjuntura de forças de nossas época. Nossa época tem consquistado avanços, dominado questões importantes, mas a custa da estrutura, das instituições, dos procedimentos impessoais em detrimento do nome próprio. Claro que existem algumas exceções, mas as teorias são feitas à muitas mãos. Na democracia o que vinga é a força de conjunto. Grandes nomes, grandes homens são coisas do passado. É preciso reavaliar as coisas que Nietszche disse. Posso está enganado, se toda espécie quer se expandir, dominar outras, o homem na cultura burguesa, ao menos materialmente, está muito além de qualquer cultura. Qualquer operário atual vive mais tempo do que qualquer nobre ou Aristocrata grego, claro que Nietszche leva em conta análises qualitativas, entretanto, em termos gerais, para uma espécie o material e quantitativo conta e muito. Portanto, é preciso repensar a noção de senhor e escravo. Nossa sociedade caminha para a desvinculação do esforço. Todos os utensiíios criados são fruto desse preconceito social de fugir do trabalho. Rousseau reclamava disso, imaginem?! O senhor desvinculado do trabalho é um ideal de nossa sociedade. Quem sustenta esse ideal, o conjunto da cultura. Há portanto uma inversão da dialética de Hegel. São os escravos ansiosos dos benefícios do senhor que procuram, nos desenvolvimentos históricos, aproximação dessa liberdade dos trabalhos manuais e por eles e a partir deles é que a espécie tem crescido e expandido. O senhor, em inversão marilhosa da dialética de Hegel feita por Kojève, é soberbo e estático, não procura mais porque já tem tudo, como diz "se a dominação ociosa é um impasse, a sujeição laboriosa é, pelo contrário, a fonte de todo o progresso humano, social, histórico". A partir de minhas intelecções vejo com mais largueza que na verdade o próprio Nietszche tentava sustentar valores impotentes e fracos e que a democracia alicerçada em toda essa desorganização possui uma sinergia mais benéfica para nossa espécie, isso é comprovado por todas as benesses que temos hoje em dia!
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