O marxismo, como crítica social, caiu nessas dificuldades. Advogou uma teleologia. Marx explicou a forma estrutural a partir da qual o capital nega a vida, mas, ao mesmo tempo, propôs uma finalidade social no futuro através da dialética.
A constituição dirigente entra nesse mesmo problema. Como um instrumento jurídico, uma arte humana, pode à contento guiar e moldar o futuro das relações, se as relações, por si, não possuem qualquer finalidade intrínseca una, seja específica ou absoluta, já que elas são múltiplas, escorregadias e potencialmente amorfas?
O dirigismo constitucional é uma arte dirigida ao legislativo e ao governo. Visa limitar as tarefas deles relativamente as finalidades às quais devem obedecer, tudo de acordo com os ditames solenes da carta magna.
O problema é que o governo está relacionado com problemas múltiplos, problemas esses sujeitos às mudanças repentinas e, da mesma forma, ligados à soluções oportunas à determinadas situações. A própria concreção das finalidades, desse modo, está limitada ao devir, nunca uno, das relações sociais, sempre expansivas.
Melhor seria a cada eleição, o próprio povo escolher as finalidades às quais devem se limitar seus representantes. Com isso, as próprias finalidades seriam mais plásticas, seriam mais próximas da vida, longe dos pedaços de papel solenes, abrigados contra o tempo fluído.
É preciso sair da constituição instrumento contra o tempo, proporcionando uma maior comunicação das pessoas com seus representantes, que seriam sujeitos a um mandato imperativo pelas vias da democracia participativa.
Pra mim, a teologia (teleologia) deve ser explusa do direito para dá espaço à participação democrática.



Natureza.
ResponderExcluirOs que nós construímos, também, podemos chamar de natureza. Todas as nossas produções são produções da natureza. O homem é natureza, esse é o ponto. As nossas realizações em todos os campos são realizações da natureza. É a natureza viva manipulando pela razão suas forças. Pensar diferente é dizer que o homem é uma natureza especial ou não é a natureza. Foi esse o raciocínio que nos levou no passado acharmos que nós éramos seres distintos dos outros e que a natureza era apenas uma paisagem no teatro de nossa história. As cidades, as ciências, as sociedades, as culturas e as filosofias, tudo que é chamado de humano, portanto, artificial é para este velho caboclo natureza, por isso natural. O que me faz angustiado é a crença que em nosso planeta existe algo que não tenha nenhuma relação direta ou indireta com a natureza. A natureza por sua força própria produziu uma espécie capaz de simbolizar o mundo, e esta simbolização transformou-se em uma força criadora de infinitas proporções. A antiga Grécia contribuiu muito com essa crença reducionista do homem. O homem reduzido ao humano, quase de plástico. Nossa retirada do mundo selvagem não deveria ter provocado este afastamento crônico de nossa verdadeira condição animal. O mundo Pós Moderno deve repensar isso: Onde estamos agora, e se é possível continuar nesse lugar. Pensar a política, a filosofia, o direito, as relações sociais sem pensar gravemente na nossa postura perante o espaço geográfico transformado em espaço natural, a natureza modificada por nós, é o mesmo que confessarmos que este planeta é uma embalagem descartável como de qualquer produto consumido por nós. A teologia criacionista dos judeus e dos cristãos produziu em nós a imagem de Deus – somos deuses, portanto, auto-suficientes. O homem é especial para estes pensadores e a natureza um acessório, ou como já disse um cenário belo de nossos conflitos. Meus caros, a natureza é viva e está em constante transformação, suas leis regulam nossa existência naquilo que é mais significativo: A vida. Se esta está ameaçada por nossas descobertas, se esta está em agonia pelo sistema sócio econômico criado por nós, esta na hora de repensarmos nossa razão. Qual é, então, a lógica da razão humana se a vida não é a maior de todas as necessidades? Onde falhamos? Falhamos em não pensar o mundo partindo do ponto mais lógico: O espaço natural e suas relações com o espaço modificado por nós. Se o que construímos também é natureza, então podemos sintonizar o que já existe com o que deve existir, um mundo onde a natureza possa ser ouvida. Ela tem muito a nos dizer. O progresso não deve ultrapassar os limites impostos pelo espaço natural sob pena de quebrarmos o vínculo maior e determinante de toda a vida – as relações de causa e efeito no sistema vivo natural. O capital não pode falar mais alto que o bom senso. Isso nos leva a uma inevitável crítica de nossas instituições e de nossa racionalidade. Como a razão não viu ou fingiu não ver que o mundo se esgotaria como um trabalhador sem descanso a séculos explorado e mal remunerado? E agora José, para onde vamos? Deixo estas questões para os colegas tortos continuarem o debate. Abraços.