É bem verdade que antes do referido ato terrorista contra as “torres gêmeas” existia certo temor entre indivíduos. Os homens em sociedade sentiam-se bastante inseguros e indecisos diante das rápidas mudanças e do aparecimento de problemas sociais complexos que não mais encontravam respostas nas velhas categorias de cognição vigentes desde iluminismo e ainda superavam as capacidades coletivas de articulação para enfrentá-las e as possibilidades de seguridade das estruturas sociais de proteção.
Tal sentimento de perplexidade diante dos novos riscos, advindos dos problemas complexos, ainda era intensificado subjetivamente por causa da falta de referenciais precisos e firmes para ação social em virtude da crise das redes de proteção social no Neoliberalismo. Um dos fatores que fez – ao lado da degradação ambiental, do intenso progresso tecnológico, etc – com que alguns estudiosos chamassem a sociedade contemporânea de “sociedade do risco”.
Desse modo, de certa forma antes dos ataques terroristas em 2001 existia forte pendor para o pânico coletivo esperando ser “desnudado”, uma verdadeira “bomba” esperando explodir, pois já era suscetível nas relações sociais a propensão ao “histerismo” e ao clamor por segurança. Havia à época endemicamente espalhado na ambiência social grande sensibilidade aos apelos pela ampliação do aparato punitivo estatal e grande bramido por líderes ou soluções quase messiânicas para as causas de insegurança.
Depois do ataque terrorista, amplamente divulgado nos “quatro cantos” do mundo pelas redes midiáticas ao estilo de um “verdadeiro” espetáculo, parece que todos os temores citados foram ampliados com conseqüências alarmantes para o sistema penal, em novo tipo, esse fenômeno parece indicar, de controle social pós-panóptico que procede à normatização dos comportamentos individuais através de imagens e mensagens que perpassam o corpo social sem as limitações do modelo institucional.
Assim, o medo, enormemente disseminado entre as pessoas, ampliou suas danosas influências e invadiu setores importantes da sociedade tornando mais pungente a crise das instituições e valores tradicionais. Formou-se então uma conjuntura de grandes proporções que possibilita afirmar que o sentimento de pânico depois do ato terrorista veio ocupar o principal vetor de organização social. O medo tornou-se um sentimento que parece informar hegemonicamente as relações sociais entre as pessoas na sociedade contemporânea.
Os homens vivem em uma sociedade que, além de ser pautada no risco, ainda é amplamente obcecada pelo medo, possivelmente utilizado e canalizado para o implemento desarrazoado do controle formal penal. Dessa forma, o medo, por diversos motivos e causas, tem sido o principal motor da expansão das agências do sistema penal, e torna-se nesse sentido a provável “via mestra” de inteligibilidade do fenômeno.
Sobre as possíveis causas do medo cabe destacar que na época atual existe explícito declínio dos ideais ou dos modelos paradigmáticos de agir socialmente, vigentes outrora. Essa situação traz consigo grande desorientação social que ainda é intensificado pelo correlato surgimento do imperativo cultural de “gozo infinito generalizado” intermediado pelas novas técnicas de controle dos comportamentos que colocam os indivíduos em continuas situações de risco e permeiam no âmbito social um sentimento de angústia e ansiedade.
Assim, na sociedade dos consumidores, através de novos mecanismos de poder, a cultura simbolicamente é permeada e saturada por figuras, imagens, mensagens de querer, de busca da felicidade a qualquer custo, sem qualquer correlativo de limitação, responsabilidade ou tipo de castração. Existe, permeando todos os setores da sociedade, um imperativo de negação e fragilização das regras de interação social e até mesmo de negação do “outro”, sempre visto como simples objeto, coisa, oportunidade ou empecilho de lucro através do simples raciocínio utilitário dos custos e benefícios.
Máximas como ter “fama a qualquer custo”, “ter dinheiro por quaisquer meios”, “ter poder sem respeito ao outro”, “parecer com o ídolo do momento”, “acompanhar os ditames da moda”, “imitar as pessoas de sucesso”, “escutar os ditames dos especialistas”, “comprar aquilo que todos compram”, “ler aquilo que todos lêem” parecem nortear o comportamento da grande maioria dos indivíduos e romper com qualquer valor estável, transparente e compartilhado de identificação entre as pessoas.
Na sociedade da coerção para o consumo, qualquer respeito aos paradigmas intersubjetivos, comunicacionais e compartilhados de relação social, é interpretado como limitação das oportunidades oferecidas, como opressão, controle, homogeneização forçada, tirania do passado, falta de liberdade, desrespeito à diferença, fragilizados que eles são pelo assédio sempre envolvente da mídia que ativa de forma sempre crescente nos indivíduos desejos, afetos, modelos de interação.
Dentro dessa perspectiva, trata-se de uma sociedade em que vigora a suprema mensagem do “cada um por si”, uma verdadeira “guerra de todos contra todos”, sem nenhuma convergência a figuras excepcionais de identificação, espécie de eu ideal, o que gera uma desconfiança geral das condutas alheias, onde todos se tornam pequenos tiranos e invejosos, predispostos psicologicamente à antecipação do ataque, ou a se isolar covardemente nos novos Bunkers da engenharia moderna.
Os únicos “valores” que são ativados nas relações entre os indivíduos existem tão-somente como sinais de comutação de aparências e de equivalência teatral momentânea e contingente, os quais são ditados como modelos e guias de imitação, de compleição e efetividade bastante fraca, equivalente a uma roupa velha que os homens podem jogar fora a qualquer hora.
Os modelos e sinais de interação não formam regras sólidas, de referenciais duráveis e confiáveis para ações previsíveis, certas e garantidas dos indivíduos. Eles não fornecem mapas que possibilitem caminhos seguros do curso da vida, de vigência indiscutível e transparente, muito pelo contrário, neles os indivíduos não sabem exatamente como agir nas interações, tamanhos e contraditórios são os vetores de ação social na sociedade de consumo.
Nessa perspectiva, são bastante visíveis nas relações sociais sinais de êxtase momentâneos de prazer e de correlata angústia de não gozá-los novamente (ou eternamente). Tais fatores são percebidos mais evidentemente quando as pessoas são instadas a comprar produtos fúteis tão-somente porque neles estão inscritos simbolicamente pelos meios de comunicação de massa representações coletivas que pretendem incorporar os sinais e caminhos da “verdadeira felicidade”.
Decerto que ainda existem pessoas que compram produtos sob a ótica da utilidade ou mesmo com certa racionalidade econômica, mas a grande “massa” compra produtos no mercado com base nos sinais de status - ou mesmo fantasias sexuais, ou promessas de felicidade - incorporados no meio simbólico (representação social) pelos meios de comunicação social.
As pessoas compram as felicidades orquestradas pelo código simulacral sem sequer possuírem quaisquer necessidades do ponto de vista utilitário, ou até mesmo sem empunharem informações de cunho econômico, baseadas na comparação de preços – princípios que explicam (explicavam) a conformação real do produto - o que não deixa de ser um fator de irracionalidade.
As pessoas compram as felicidades orquestradas pelo código simulacral sem sequer possuírem quaisquer necessidades do ponto de vista utilitário, ou até mesmo sem empunharem informações de cunho econômico, baseadas na comparação de preços – princípios que explicam (explicavam) a conformação real do produto - o que não deixa de ser um fator de irracionalidade.
Dessa forma, é o próprio mercado que leva os consumidores a aceitar modelos de condutas, levando-os às escolhas irracionais através de estratégias de sedução, apelando para desejos sexuais, fantasias de prazer ou mesmo de sinais de diferenciação social, ditados através de redes de construção de signos e formas estéticas de sensação, estratégias de controle dos comportamentos do consumidor que não possibilitam qualquer possibilidade de trocas comunicacionais intersubjetivas, mas tão-somente a uma simples absorção e assunção puramente apática de padrões e signos desligados da realidade por uma massa manipulada e “faminta de felicidade”.
Nestes termos, as coisas eivadas dos mitos simbólicos de felicidade são padrões performativos de ação frágeis, “verdadeiros” modelos de identificação social, os quais os indivíduos devem sempre acompanhar na labuta diária predispostos a possuir “deslumbrados” e “bestificados” sob pena de nulificação social, mas que, pelo contrário, nunca satisfazem e saciam o desejo como “prometem”, pois estão sempre no horizonte, longe de qualquer alcance, conformando as pessoas a uma construção ininterrupta e inacabada do Eu através de uma estratégica administração das insatisfações pelo “poder”.
Acontece que na sociedade de consumo o indivíduo deve se tornar uma vitrine ambulante, ele deve se ornar com as etiquetas e os formidáveis aparelhos de “última geração”, que funcionam na sociedade como fenótipos precários do caminho, mesmo que frágil, a percorrer, são sinais do reconhecimento social no capitalismo tardio, o famoso viver das “aparências”.
Assim, é possível ponderar que o perigo de fratura social está nesse sentimento de angústia e de medo, no temor de não acompanhar as mudanças rápidas de uma sociedade obcecada pela novidade, pelas compras, pelas marcas, pelo supérfluo, cuja suscetibilidade a soluções drásticas pode possivelmente ser endereçado para a promoção penal, uma vez que na sociedade de hoje existe forte clamor da “opinião pública” por soluções ultra-rápidas e instantâneas para os problemas do pavor que são inclusive alicerçadas em vontades desesperadas e irracionais de “nortes seguros” para a ação social. Como afirma Toron :
"Não é a ameaça real da criminalidade e da violência que conta para a definição de uma política de segurança e sim a percepção de tal ameaça pela coletividade. Estes sentimentos de ameaça, que dominam a população, são canalizados para reivindicações de imediato arrocho nos meios coercitivos e tornam o relaxamento dos Direitos fundamentais bem como sua corrosão pelo Estado não só toleráveis como objeto de exigência da população."
Tais sentimentos amplamente disseminados entre as pessoas, ressalte-se, o medo e a angústia, podem ser canalizados para projetos de negação do “outro” através de supostas “racionalizações” de inimigos. Pois o inimigo pode se tornar uma espécie de “racionalização” quando ninguém consegue de maneira satisfatória dá respostas aos problemas sociais, uma espécie de ponto de fuga.
Desse modo, diante do surgimento de grandes complexidades no trato da questão social, vem surgindo com cada vez mais intensidade a identificação de supostos inimigos da humanidade, em tentativa desesperada de criar momentaneamente identificações em torno do “terror”, certa união social para resolução dos problemas que inclusive pode esconder novas formas de ideologização dos indivíduos e novas práticas políticas.
No sistema jurídico, por exemplo, passa a ser amplamente adotada uma nova concepção, a do direito penal do inimigo, que, diante da crise de legitimidade do sistema penal, do incremento dos problemas sociais e de um amplamente alardeado aumento dos índices de violência e criminalidade, tenta responsabilizar certa categoria dos indivíduos pelos dilemas de segurança na tentativa de excluí-los das proteções formais penais. Considera-se que o comportamento daqueles eleitos como inimigos, de forma autônoma e consciente, rompem de forma contumaz as expectativas de interação social do sistema social e devem por isso ser colocados na posição de inimigos da sociedade.
Portanto, o medo na atual configuração social pode ser o principal vetor para o fenômeno da expansão penal. Analisar os motivos determinantes do surgimento e intensificação do medo na sociedade contemporânea parece se tornar imprescindível para um melhor diagnóstico da crise de legitimidade das garantias jurídico-penais e do fenômeno da expansão do sistema penal.



NOVO TEXTO NO SITE DO MOVIMENTO TORTO!!
ResponderExcluirO Torto sobretudo torto, de Roosevelt Leite
Em nosso site aparecem diversos tortos. Aquele que abordam temas relacionados ao direito. E a este digo: seja bem vindo. O torto que esbraveja quando alguém fala sobre fé. Este também é um bem – aventurado. O torto que está no meio do caminho entre religião e ciência, este é um feliz torto. Acredito nas idéias sejam elas quais forem. Claro que acreditar aqui é uma admiração pela capacidade humana de pensar. O que nos faz tortos é essa capacidade de manter viva uma postura crítica em um país que inibe de diversas maneiras as produções leigas. Não somos especialistas fora de nossas esferas acadêmicas, mas o torto é um atrevido de carteirinha, pois cutuca o bicho vivo de todas as formas que ele dispõe. O torto precisa ter a cabeça fria em não confundir a dureza da crítica com o pessoal. A crítica nesse lugar é esperada todas as horas, sem elas, o site torna-se insípido.
Nosso torto João deve ver isso com atenção e continuar sua lida neste site. Não é nada pessoal. O torto é um cara de pau e não há problema nisso. Ninguém espere a mamãe dizer que você fez um bom dever de casa, pois nós somos víboras venenosas prontas a morder qualquer um, ou melhor, o que se diz. E o que é dizer, então?
ResponderExcluirO torto luta de diversas formas por uma originalidade de pensamento. Ele entende que o seu dito pode ser até certo ponto algo seu, portanto original, contudo não passa de um dito que pode ser de outro e de outra época. O torto entende que o discurso é sempre uma sucessão de discursos (ditos) ao longo da história do pensamento humano, e se tivermos sorte e capacidade quem sabe diremos algo novo.
O que interessa, então, é dizer com sobriedade o dito dos outros até que o dito seja um dito novo, uma luz que brilhará por algum tempo. Recentemente estudei as bases epistemológicas do pensamento freudiano. Suas descobertas foram amparadas por outros ditos, portanto, seu pensamento é uma contaminação discursiva de vários ditos. Onde está, portanto, o original? Na forma de usar os diversos ditos dentro de uma linha de raciocínio adotada pelo psicanalista. Ele falou com sobriedade os ditos alheios e os fez carne e osso em seus ensaios acadêmicos somando-os à suas abstrações e pesquisas.
Os ditos somam-se dentro de um todo discursivo que tende a dizer outro dito que pode ser dependendo do grau de abstração do pensador, algo dito pela primeira vez. E isto tende a durar por algum tempo até que outro torto o desminta. Tem algum mal aqui?
O que me chama muito à atenção é o em si na cadeia dos ditos. Os ditos inevitavelmente constituem a base de nossa subjetividade, logo, o em si, é o outro em nós, portanto, nada existe de original naquilo que chamamos de subjetividade, exceto, os traços ontogênicos ligados a cultura, e a família. Posto isso, digo que o que somos é a soma de tudo que temos consciência ou não dos ditos na cadeia discursiva dos homens.
Assim, meus caros, como já fora dito, existir precede o ser. Isso não sou eu quem o diz, é mais um dito, um dito existencialista. O que existe de original aqui são meus erros no vernáculo e a estética do meu dizer. Pobre homem que sou. Ainda não aprendi a falar partindo do meu em si. Tudo que sei é dos outros e não meu. O existencialismo me conforta quando me apresenta uma escolha no dito sobre meu existir. Posso dizer isso é fato. Posso dizer algo novo, isso também é fato, e assim quebra-se a cadeia temporariamente. Prossigo, então, rumo ao meu dito inspirando-me nos outros até que por insight, em um dado momento do meu existir, eu diga algo novo sobre o mundo. É claro que farei uso do que disponho: todos os ditos presentes no meu armário lingüístico.
O torto verdadeiro não generaliza, não cria categorias como, isso é belo, isso é feio, isso é certo, isso é errado. Afinal, estas questões ainda não foram solucionadas. Apontem-me, por favor, um belo e um feio. O não gostei, o não concordo são posições válidas para um bom torto, e eu atrevo-me a chamá-lo de torto puritano. A natureza do puritano se prende as formas, as estruturas que lhe foram colocadas pela “revelação”. Nós pobres tortos, perdidos em um mar de questões, sabemos que o ar é corrosivo assim como são as idéias.
O torto apreendeu que o sintagma é ideológico e este enquanto estrutura prima dos discursos não tem nada de ingênuo. Portanto para nós do movimento tudo se evapora pela força do ar. Tudo é idéia, é ideologia. A mais coerente de nossas afirmações se pauta na negação de tudo, até a negação de nossas afirmações.
Será o torto um estóico Pós-moderno? Não! O texto matéria etérea é uma prova disso! Os discursos da física clássica sobre o éter foram completados pela teoria atômica atual. Suas leis de nada adiantam no contexto quântico. Isso sinaliza uma reviravolta em nossos conceitos sobre matéria, tempo e espaço, as bases de todas as ciências construídas até hoje.
Assim, o torto não diz que é impossível chegarmos a uma verdade sobre algo, o torto diz que a verdade é relativa, e dura enquanto outra não aparece. O resultado lógico disso é: devo refletir sobre tudo, escrever sobre tudo que tenha condições e ter humildade em não generalizar verdades que depois serão desmentidas. Isso é torto, isso é natureza, isso é razão pós-moderna. O torto adverte: Suas certezas podem ser quimeras, contos de fada, belas notícias, ditos e re-ditos que no fluxo da razão humana serão apenas gotas de água perdidas no imenso oceano chamado de filosofia. Seja um bom torto.
ResponderExcluirconfira e comente!
MOVIMENTO TORTO:
www.movimentotorto.com
Já li no site do movimento torto, ludi! rsrsrsrsr
ResponderExcluirabs
Continuarei informando a vc a seus leitores! ;D
ResponderExcluirAbraço!
certo, tudo bem! rsrsrsrs
ResponderExcluirabs
Meu caro Anderson,
ResponderExcluirNossa proposta não reside no academicismo que muitos intelectuais exigem para possam dizer que isso ou aquilo tem algum valor racional. Nossos colegas tortos têem suas áreas afins e nelas exercitam suas faculdades. Poderiam publicar suas resenhas, seus textos, etc. Isso ao meu ver, num primeiro momento, não seria mal algum, contudo, o site com este perfil seria apenas uma extensão do campus. Roosevelt
Não entendi o porquê da postagem. Queria saber o motivo. Mas mesmo assim agradeço a preocupação de vocês com o meu blog ou com o que digo ou faço. Simplesmente não sei também o que porquê dessa mania de perseguição de vocês, isso no mínimo me soa estranho, parece, sinceramente, que querem reconhecimento. Se for isso mesmo, sempre disse que gosto do site de vocês, embora não goste da simplicidade com que negam e afirmam as coisas, mas isso é opinião pessoal minha. "Cada mcacado no seu galho". Se gostam assim, eu não gosto e espero, como torto que são, que aceitem minhas singelas e humildes opiniões. Sou ainda meio acadêmico e não vejo nada demais nisso. Sou conservador em muitas coisas. Espero que um dia nos conheçamos e troquemos experiências. Isso é mais importante, não é? E obrigado pela referência de minhas visitas ao site no seu último texto, foi nuito legal de sua parte! Como Josué falou de minhas visitas la no Torto - e aceitei suas crítica - da próxima, se possível, comente o texto, isso ajudará na minha procura de algo na área jurídica
ResponderExcluirabs
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