Quando o homem pensa ou faz algo sempre cogita, mesmo que inconscientemente, alguma finalidade. Mesmo assim, nesses termos, sua vontade não depende de qualquer arbítrio. Na grande maioria das vezes, quiça sempre, o homem reage e age sobre a influência de seu ambiente. Ele é perpassado por forças imanentes, ele é somente um vetor de energias.
Por isso, nunca existe ou existirá qualquer finalidade única das afecções. Quando o homem deposita fé em alguma finalidade absoluta é com a intenção de por ordem nos movimentos desordenados das coisas. Uma ilusão de domínio perpassa essa questão da finalidade. Dentro dessa perspectiva , o homem sempre pensa em unificar e ordenar aquilo que é desordenado por si, a cultura e a natureza.
Se consultássemos a história, logo seria fácil perceber que, do mesmo modo que o homem, toda sociedade elegeu uma finalidade para seus movimentos. Se existiram finalidades no plural e não um termo absoluto das coisas no singular, esse tema é do mesmo modo sujeito, entrementes, as influências dos movimentos e multiplicidades sociais, não podendo se falar o contrário.
Não é a finalidade que guia o social, é o social nas suas múltiplas afecções, sem rumo, ontologicamente falando, que doa para si determinados parâmetros frágeis, ao menos na consciência de seus membros, os quais devem ser pensados através da contigência e nunca na acepção de universalidade. Embora toda sociedade, na ânsia do dominar o futuro, pense a si em termos de universalidade.
Devido a isso, guiados pela consciência de finalidade que perpassa todos os corpos, porque o pensar é inscrito no corpo, na ânsia de domínio, muitas sociedades não puderam ou quiseram acompanhar as mudanças, tornando-se alheias ao fator principal, que a vida é acima de tudo mudança e o pensar que nega as afecções é alheio ao viver. Disso tudo é que surgem os niilismos.
Da vontade de domínio do homem surge, como correlato histórico, uma vontade de não viver. Mas as mudanças e energias efetivas - a própria vida como ela é - são alheias a quaisquer parâmetros - aqui se inclui a finalidade - e procuram a expansão desordenada, furando, rompendo, fungindo, destruindo, todas as barreiras.
As unificações do domínio não são suficientes para conter as multiplicidades potentes do corpo social. A natureza é indiferente aos valores. O princípio eficiente que perpassa todos os movimentos não tem início, fundamento ou termo absoluto, ele é voltado ao nada.
O homem é que culturalmente cria ficções de artifice, de pintor, de escultor, através de suas artes, e partir delas e mediante elas, ora aumenta sua potência, quando assume que é multiplo e vive e aceita a vida como ela é, ora definha adorando suas representações de mando.
Nesse passo, existiram culturas potentes e culturas não potentes. O niilismo é uma representação de mundo que nega a vida, portanto é, enquanto natureza, uma decadência da espécie, uma perda de vigor. A representação de finalidades no futuro, como guia do porvir, também nega o presente, esquecido enquanto espaço da vida aqui e agora, e também é niilista.
(continua)
As unificações do domínio não são suficientes para conter as multiplicidades potentes do corpo social. A natureza é indiferente aos valores. O princípio eficiente que perpassa todos os movimentos não tem início, fundamento ou termo absoluto, ele é voltado ao nada.
O homem é que culturalmente cria ficções de artifice, de pintor, de escultor, através de suas artes, e partir delas e mediante elas, ora aumenta sua potência, quando assume que é multiplo e vive e aceita a vida como ela é, ora definha adorando suas representações de mando.
Nesse passo, existiram culturas potentes e culturas não potentes. O niilismo é uma representação de mundo que nega a vida, portanto é, enquanto natureza, uma decadência da espécie, uma perda de vigor. A representação de finalidades no futuro, como guia do porvir, também nega o presente, esquecido enquanto espaço da vida aqui e agora, e também é niilista.
(continua)

Nenhum comentário:
Postar um comentário